Não Sei Andar de Bicicleta

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Sim, eu soube desde o início que se eu me apegasse e me apaixonasse, eu conseqüentemente, ia sofrer... Ah, sofrer! Eu passei muitos anos da minha vida evitando sofrer, por isso eu amava um amor-contido, sem tantas entregas... Por medo. Foi então que eu descobri que meu "amor-contido" não era amor... Ainda não descobri bem o que era, talvez um consolo para minha carência, mas amor? Amor não era. Acho que eu não sabia amar... Digo, amar de verdade... Amor não faltava dentro de mim, eu sempre amei, mas o meu amor dividia-se e distribuía-se para vários... Talvez por isso era um pouco-amor para cada. Não era amor o que faltava, talvez entrega. Foi aí que eu te encontrei. Na verdade, não de súbito. Você já estava ali, já tinha seu lugarzinho reservado no meu coração. Mas como eu já disse, era um amor-contido. E eu, já cansada de ter em mim esse sentimento de não-amor - vazio - resolvi mudar. Afinal, anos assim não levaram a nada, e essa minha vontade de evitar sofrimento é coisa de quem não sabe amar, pensei. E foi você que mudou esse coraçãozinho desesperado, confuso e carente, e me mostrou que – mesmo com todas as adversidades – valia à pena a entrega. Então o fiz. Entreguei-me e fui feliz como há tempos não havia. Mudei tanto, em tão pouco tempo. Coisas que você só passa a entender quando ama de verdade. Antes, o meu amor-contido e despretensioso, não me deixava ter ciúmes, ter um medo de desesperador de perda, não me importar em ser traída ou não entender certas privações... Sem falar parte boa: o quão bom é esperar os minutos pra ver quem você ama, o quão bom é acordar recebendo uma ligação, o quão bom é a vontade de não querer ficar longe, o quão feliz você se sente, o quão bom é dormir abraçadinho e vê-lo acordar, o quão orgulhosa eu sou de tê-lo, fora os carinhos, beijos e abraços. Ah, como é bom amar, viver esse amor, e melhor: ser tudo recíproco! Mas como sabíamos desde o início, esse amor seria separado, por questões geográficas - que estão por acabar comigo, e por tanto tempo eu, que evitava sofrer, vejo-me agora na pior das situações. No sofrimento, na falta, na angústia e no desespero... Mas é bom sofrer, é a prova que eu sinto, é a prova que não sou um cadáver adiado - que não sabe viver - como julguei ser por muito tempo. Mas eu sigo em frente, porque sei que mesmo distante você é meu, me faz feliz, e é quem eu amo.
E vocês aí, devem está pensando, e fazendo pouco caso: “Olha só, que bonitinho, agora que ela descobriu o amor...” como quem diz para uma criança de oito anos que aprende a andar de bicicleta sem rodinhas “Olha só, que bonitinho, aprendeu a andar de bicicleta...” É... O amor é assim, como bicicletas, aos poucos você vai aprendendo. E quando já não nos serve mais, podemos trocá-las por outras bicicletas, que nos comportem melhor... Mas algumas pessoas, mesmo com o passar do tempo, preferem guardá-la, mesmo que seja num canto da garagem, talvez como um afago na lembrança, talvez pela dificuldade ao desapego... Mas quem quer saber do que está por vir? Sigam com as suas bicicletas, porque o mais irônico de tudo, é que eu não sei andar em uma... Mas sei amar.

1 escritos:

tongchen@seattle disse...
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