Titanic

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Escolheste navegar em um grande Cruzeiro

Mas, ao surgir um iceberg








Afundas



E do fundo

lembras de procurar a tábua de salvação.


Cansei.

Atraque aqui,

Quero ser porto.

Princesíndia

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Branca como a neve,
Lábios cor de carmim,
E cabelos negros como ébano.

Minha Princesa,
Provaste o fruto evenenado
E caíste em sono profundo
Descansa em paz
Enquanto nós, anões
Velamos o teu sono
A espera de um final feliz.

O Último Adeus

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Só voltei para vos dizer: Amem!
Se eu pudesse vos dar um conselho
Eu diria: Amem!
Era tudo o quis e não consegui.

Amores em linha ténue…
Quem quer?
Trocaria todos por um
Ou uma
Paixão
Se eu conseguisse sentir…
Se eu não me importasse com o que viria…
Se eu não tivesse medo de arriscar...
Se eu não penssasse tanto…

Se! Se! Se!

Perdi muito tempo

E hoje estou aqui
De coração vazio
Prestes a parar
Sem sentir
Oco

Por isso vos digo: Amem!
E sintam!
Sejam felizes
Ou
Sejam tristes
Mas amem
Todos os dias de vossas vidas:

Amém


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Presente de Natal

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Quando eu descobri que Papai Noel não existia, parei de pedir presente para os meus pais. Não que eu quisesse alguma surpresa, eu simplesmente não queria ganhar presente, e a partir daí meu Natal era sempre igual no assunto presente. Mesmo que eu não pedisse presente, os meus pais sempre me davam, querendo me agradar. E quando se é criança tudo é mais fácil, fica contente com qualquer presente, como eu ficava quando ganhava do Papai Noel. Mas eu cresci, parei de acreditar no bom velhinho… e meus pais não me conheciam mais, e dificilmente eles conseguiam me agradar com o presente, e esse ano foi assim. Mas não deveria! É quase uma obrigação dos pais saberem o gosto dos filhos, tudo bem que eu mudo muito o meu gosto, mas só em relação à alimentação - um dia gosto de carne assada, outro dia não quero ver carne assada na minha frente, um dia não gosto de abacaxi, outro dia é minha fruta preferida. – Fico com uma cara sem graça, e minto que gostei do presente, mas depois acabo perguntando: "Por que não me dão o dinheiro? Assim compro o que quero…" E aí eles percebem que não gostei, e dizem: "É a última vez que compro presente pra ti", e começa a chateação anual. E desde que eu não acredito em Papai Noel, meus pais dizem que é a última vez que compram presente pra mim.
Não sei porque, mas fico mais sensível essa época do ano, sempre tenho uma depressão pré-natal. E embora seja bobagem, essa pequena chateação com meus pais me deixava angustiada. Aliás, datas como Natal, Ano Novo e meu Aniversário me deixam assim, talvez por pensar demais sobre. Ano passado também tive essa depressão pré-natal também, que se estendeu para depressão total de Natal. Ano passado passei o primeiro natal sem meu pai, passei só com minha mãe e meu irmão, alheios na casa de um parente. Não lembro se ganhei presente dos outros, devo ter ganhado, mas lembro que não ganhei o presente dos meus pais, o tal “presente não quisto”. E sabem de uma coisa? Senti muita falta, não pelo fato de não receber o presente, mas porque ele representava algo bem maior, era a constatação de que meus pais lembram-se de mim, e sempre fazem tudo para me agradar e me ver feliz. Esse ano com a família reunida novamente, ganhei o “presente não quisto”, aconteceu a mesma chateação de sempre, e acreditem, fico muito feliz por ainda tê-los ao meu lado para eu poder me chatear, porque são eles o meu verdadeiro presente de natal.

Soldado Da Rua

sábado, 18 de julho de 2009

Sinal vermelho. Era uma noite linda, com poucas nuvens e estrelas, mas que tinha sua beleza pela lua minguante que sorria pra mim como Cheshire Cat. No sinal, algo me chama atenção: bolas de fogo que pareciam flutuar no ar. A cor preta dos malabares que pareciam tacos de baseball, se contrastavam com a noite. Achei aquilo mágico, quatro bolas de fogo levitando no ar. De repente ele perde a concentração e um dos malabares cai no chão, mas rapidamente ele o pega e a apresentação prossegue. O sujeito era branco, não tão alto, e careca, mas não um careca de calvice, um careca que quer ser careca, ou algo que o exige ser careca. Usava uma máscara de químico, e tinha o rosto e os braços sujos de algo preto, como soldados que fazem pinturas no rosto para de camuflar em alguma batalha. Percebi que a batalha dele era outra: a batalha do dia-a-dia, da noite-a-noite, a batalha da vida. Ninguém faz malabares no sinal pela pura e simples arte, mas porque foi a forma que encontraram de ganhar dinheiro. Ao terminar a apresentação, ele pára e olha atento aos primeiros carros. Ninguém com os braços estendidos para dar-lhe uma moeda, muito menos aplausos e prestígio. Ele vai caminhando entre os carros, passando por perto das janelas, em busca de “uma caridade”, mas nada dizia. Peguei algumas moedas na carteira, na verdade, todas as que eu tinha, nada que passasse de dois reais e de seu real valor. Ao ver que alguém - eu - estendia a mão pela janela, ele apressou o passo - o sinal não ia demorar para abrir – pegou as moedas e abaixou a cabeça em direção a janela do carro. Me olhou com olhos tão vivos e brilhantes ao mesmo tempo assustados. Sorri. Ele ficou paralisado, olhando-me por poucos segundos.
- Obrigada. – eu disse sorrindo.
Ele deu um estalo e voltou em si, mas não deve ter me entendido. Não falou nada, fez um gesto agradecendo e seguiu.


*texto antigo, dezembro de 2008*

Cons[ci]ente

sexta-feira, 10 de julho de 2009

- Porra, tu não tem limite! - ele diz, reclamando.

- Não, não tenho, não... - irônica e zangada, só digo isso e penso "ele realmente ainda não me viu passar dos limites".





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Ócio

terça-feira, 7 de julho de 2009

Ando tão apática
Porém tão pensativa...
Cheia de filosofia barata
Encontrada em qualquer
Banca de revista.